quinta-feira, 30 de abril de 2009

(cat power - she loves you so hard)

eu ando pela rua.
sons de crianças gritando, bexigas estourando, carros buzinando, estacionando, disparando.
sons, sinas, carmas.
carros, passos, bexigas.
estouros.
por dentro uma vontade incontrolável de caminhar como se fosse o dono de tudo, cena de filme mudo.
música de blues, ring the alarm (the man says behind me).
mas eu ando segurando os lábios, bem forte, mantendo a minha vontade dentro de mim.
além do mais, a forma de exteriorizar é a que menos importa.
because she loves me, she loves me, she loves me so hard.

domingo, 12 de abril de 2009

(beirut - elephant gun)

então ele pegou um pouco de confete e purpurina. colocou no centro da palma direita e escondeu com a mão direita, por cima.
chegou bem pertinho dela, sorriu um sorriso bonito. ela retribuiu.
ele posiciou a mão logo em frente da sua boca, tirou a mão direita de cima e soprou, bem forte e bem fraquinho ao mesmo tempo, para fazer com que ela sentisse de supetão a cor e o brilho que ele queria lhe proporcionar e sentir, de leve, um frescor.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

descoberto por uma fotografia. duas, aliás.

e naquele momento especial, ela procurou meus olhos para compartilhar um momento bom.
e eu, bobo, estava a pensar isolado; olhando por cima, para além dali.
me distraio com alguma coisa e volto à realidade.
mas essa coisa não foi ela.
ela, por sua vez, percebe-se não correspondida e contém o sorriso.

como eu sei que isso aconteceu?
esses instantes foram gravados em fotogramas.



agora quero poder retribuí-la, seja com sorrisos, seja com abraços, seja com...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

ele é azulzinho.

sinto que, a cada vez mais que eu vou adiando, vou perdendo a chance de poder dar um passo a frente. sinto como se apenas o que faltasse fosse uma atitude minha. e não é a primeira vez que isso acontece, não é a primeira vez que faço alguém esperar. sou bastante indeciso no que diz respeito a esse assunto, se é que isso pode ser resumido como um assunto, coisa simples. porque não é uma coisa simples.
sou uma pessoa muito indecisa, deixo as oportunidades passarem. me sinto triste com isso. já disse querer fazer isso, fazer aquilo, mudar o mundo, poder dar o mundo a alguém, a lua, o céu, as estrelas, o mar... ou uma rosa, mas sem arrancá-la. apontar uma rosa, como aprendi.
sempre sou eu que tenho que tomar as atitudes pra seguir adiante. não que eu esteja querendo que isso não mais aconteça. mas acho que se se espera demais para colher o fruto, ele apodrece. e não é isso que eu quero. sei que ele pode esperar por nossas mãos por muito tempo. mas tudo tem um limite. assim que possível não é uma coisa cumprida.
poder andar de bicicleta, livre, livrar-me das minhas barreiras, que nem em encenação de teatro. só que sério, de verdade. poder deixar de lado os meus medos, os meus receios. e, como disse a minha sorte daqueles recadinhos da sorte do orkut, "...se você nunca sentiu medo, vergonha ou dor, é porque nunca correu riscos."
correr riscos, não ter tudo ao meu redor dependendo de mim. não quero ser sempre eu a dar a palavra final. não quero guiar. apesar de meu signo terreno ter essa característica inata, quero poder ser guiado também. dar meu corpo a disposição de movimentos oferecidos pelo outro.
é isso que eu quero, livrar-me desse mim que transpareço. quero ser eu mesmo. porque é fácil não ser.
mas quem disse que eu quero o caminho mais fácil? sei que o caminho mais árduo é o que trás mais felicidade no fim. e é esse caminho que eu vou trilhar. eu vou, eu vou. eu posso, eu vou conseguir, eu sei. só preciso dar o primeiro passo. e mesmo que esse passo me faça ter uma grande queda, me machuque, sei que esse fim justificará esse meio.
já comecei a fazer a minha trouxa, acredito. já preparei minha mala de viajem, já coloquei tudo o que me é necessário e importante: coragem, ar, vontade, um caderno de folhas azuis recém-comprado e algumas canetas de tinta preta.
deixar pra trás o passado também é importante. não, não quero viver o futuro. e nem pensar nele. quero viver o presente, quero construir o meu futuro a partir do meu presente.
sinto que agora eu estou caminhando. devagar, é verdade. bem devagar, sim, sim; quase como uma lesma. mas quem diz que isso não é caminhar? a vida é feita pra se viver devagarinho, aos pouquinhos. e o amor é azulzinho. que nem o caderno.