- acho que é terapêutico. sentar o dia todo, ler um livro, depois apagar as luzes e sonhar com qualquer coisa que seja.
- não sei, ana. eu realmente não sei. ultimamente tenho estado só, sozinho mesmo, em casa, no trabalho, no caminho da casa pro trabalho e na volta também. não sei muito bem o que é estar acompanhado. não mais. e o problema não é de solidão. não é que eu me sinta mal por estar só. só não me sinto bem. até porque, não sei o quê que é, preciso de alguém para me motivar. as coisas inanimadas não me motivam. inanimadamente. sabe, ana?
- ...
- talvez seja o pouco sol que eu tomo, não sei, talvez seja a falta de álcool. o sol congelado no abacate, semente... eu poderia pintar... eu poderia plantar uma árvore, sabia? sim, é claro que você sabia. você sabe de tudo que eu poderia fazer.
- olha... preciso lhe dizer a verdade: eu não sei de tudo. tipo, eu não sou uma espécie de onipresente, quiçá onipotente. sou só eu, ana, com letras garrafais impressas numa camiseta que eu uso em casa antes de dormir. essa sim sou eu, uma pessoa simples, sem michelle ou mariela do lado pra me fazerem cantar a tarde toda. porque eu me sinto obrigada. sabe, eu não sinto vontade de cantar. mas eu canto. eu canto. sabe por quê? porque as pessoas me pedem. e não há nada de mais em realizar os pedidos das pessoas. papai noel não faz isso?
- pois eu sempre achei que papai noel fosse uma farsa.
- olha... eu não vou mentir pra você: ele é uma espécie de farsa.
- !!
- mas não, não foi a mídia que o inventou. eu nem sei bem a história, mas, sabe, eu gosto dele. e é isso que importa. o importante é gostar das coisas, me entende?
- sim, eu entendo.
- e se você me entende... digo, e se você gosta, basta dar um passo à frente e realizá-las. compreende?
- sim, ana, eu entendo. digo, compreendo.
- e no final, dá no mesmo. lógico, assim como dois e dois são cinco (risos).
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
uma conversa ao som de piano num sofá verde num bar no final da esquina da rua quinze com a dezesseis.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
eu não sei lhe pedir canção.

32 e já está feito. 13 segundos de paciência, 13 segundos de música.
logo depois que você saiu, tudo estava feito. saias rodadas, canções apaixonadas, trechos de obras poéticas todas espalhados pelo chão: basta escolher uma das capas amarelas e sortear um números de duas casas decimais. "ainda nem se apaixonava e ela já se divertia", assim diria conceição. descansando sobre a mesa, um castelinho de montar, o sol a se pôr, a carga a descarregar, a flor a desabrochar; o mais belo acontece na realidade, já me dizia bernardo. a moça de vestido vermelho se levantando, sem pausa, cambaleando de salto, tirando os sapatos, caminhando descalça pela praia, vertigem. peças de um quebra-cabeça que me foi oferecido como desafio. desafio? gosto de desafios, mariá. conceição não lhe disse? pois bem. junte-se a mim, chegue perto. no meu balanço, cabem dois. assim como pombos, assim como corações. mas nada de triângulos: gosto de pontos, retas. mas se necessário, aprendo na mudança, com o diferente. e acostumo-me com o que tu gostas. se assim desejar. a outra gambiarra, sem improvisação. falo de luzes, não de wikipédia. ora, deixes de ser tão adepta da internet e vá ler um pouco de música, menina sinesteta. seu aroma é gritante, vá-se logo.
fingerprints.
café derramado no chão, até parece com o dia de ontem: o garçom piscou, depois sorriu pra mim. o casal no bar, ele queimando seus cartões de crédito; ela, o seu sutiã. entre martinis secos e ameixas, a dama de roxo dá altas gargalhadas espalhafatosas para todos ouvirem: seu gato morreu, mas ela tem bastante dinheiro para comprar outro, caso queira.
no canto verde do salão, outro casal aos beijos. vestidos pra quê? luz verde, luz azul, luz amarela... o sol não me atinge aqui, vou pra varanda.
amarelos em abundância, azul no céu ofusca os olhos. o mar bate nas pedras, os peixes assoviam pras conchas. não se parece nada com uma prisão. sem cegueira, sem listras e sem listas. é tarde demais pra mim. mas nunca é tarde. ou é?
eu queria saber daquele outro lugar, mas agora não.
no canto verde do salão, outro casal aos beijos. vestidos pra quê? luz verde, luz azul, luz amarela... o sol não me atinge aqui, vou pra varanda.
amarelos em abundância, azul no céu ofusca os olhos. o mar bate nas pedras, os peixes assoviam pras conchas. não se parece nada com uma prisão. sem cegueira, sem listras e sem listas. é tarde demais pra mim. mas nunca é tarde. ou é?
eu queria saber daquele outro lugar, mas agora não.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
o colecionador.
22hrs.
é o fim de um ciclo, marte faz aniversário. a menina vai embora, fecha a porta. a saudade alivia, alivia. o coração dói, mas é por pouco. é pra pouco. pouco importa. agora é liberdade. agora é correr atrás. agora é vida. letra, canção, música, ritmo, aceleração, batimentos cardíacos, sangue, vermelho. agora é tudo vermelho, que nem quando carta lida de livro não divulgado. cortar tiras de papel, frases aleatórias, sons novos, gravações inusitadas, batata-carimbo. tudo novo. tinta verde, não. tinta vermelha, sim.
00hrs.
ainda é vermelho.
é o fim de um ciclo, marte faz aniversário. a menina vai embora, fecha a porta. a saudade alivia, alivia. o coração dói, mas é por pouco. é pra pouco. pouco importa. agora é liberdade. agora é correr atrás. agora é vida. letra, canção, música, ritmo, aceleração, batimentos cardíacos, sangue, vermelho. agora é tudo vermelho, que nem quando carta lida de livro não divulgado. cortar tiras de papel, frases aleatórias, sons novos, gravações inusitadas, batata-carimbo. tudo novo. tinta verde, não. tinta vermelha, sim.
00hrs.
ainda é vermelho.
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