sábado, 10 de dezembro de 2011

exausto. mas sei que devo/vou/terei de continuar.

existe alguma razão subentendida? existe alguma tensão ou intensão implícita? porque eu não entendo. eu quero, sim, eu quero pôr sentado, folheando, lendo, aprendendo o que, teoricamente, não me apraz porque, justamente, o meu medo é treinar. o meu medo? não tenho medo. tenho cansaço. rabiscos e rabiscos para quê? para preencher uma folha branca com linhas pretas com fórmulas e cálculos e respostas, se não exatas, no mínimo aproximadas? sim, pode ser boa a sensação de saber o volume da pirâmide, ser capaz de resolver a equação do valor médio da densidade e seu desvio relativo, e é. mas de que me vale ter tal informação no automático? para resolver tais equações na ponta da língua? penso que talvez sirva, talvez sirva para avançar. mas avançar enganado. acontece que meu corpo não responde ao chamado de tortura. sim, tortura aprender o que sei que não vou resguardar. ficar numa gaveta empoeirada, aprendido e jogado, acumulado que nem papéis em gavetas, cartolinas e poeira. acho que meu corpo se cansou de aprender e não aplicar no mundo real. sempre são papéis em branco com linhas pretas e tudo o que se aprendeu foi para preencher estas tais linhas. estas linhas que te fazem ganhar um, dois, quatro anos à frente dos outros. estas linhas que, se preenchidas, fazem-te sentir orgulho? podem, sim, mas será que pra sempre? sinto que não, mas não afirmo. pode ser bom, sim, fiz uma boa prova de física. é bom. sentir que você é bom. a sensação. mas o caminho, os tropeços, as tentativas, o cansaço, meu corpo cansado que prefere engolir e engolir inútil-informação porque já se acostumou com esse tipo. não se aplica aos meus pés, não quero esforço. não quero somar, não quero tentar e tentar e repetir e conseguir e repetir mais uma vez, e mais outra até chegar na uma hora e meia definitiva em que temos de provar que entendemos, que somos capazes de fazer sozinhos. eu sei que sou capaz. mas eu sei que não preciso me provar. é corpo mole, não quero dar duro. não agüento mais dar duro! é isso. não agüento mais. a vida não dá um tempo, não dá descanso. o ser humano não se deixa descansar. e o ar só piora. o mar só piora, o rio suja, a praia polui, os animais engasgam e as algas proliferam. eu entendi tudo direitinho, juro que entendi. mas porque eu preciso provar? ninguém acredita mais em mim? por que não me testar durante o ensino? sim, é melhor. terei de treinar, mas não num derradeiro dia, desesperado, tentando gravar todas as fórmulas e siglas. repetindo repetindo repetindo, mas sempre escrevendo cada letra por vez. meus dedos cansam, meu tronco cansa, minhas pernas cansam, meus pés e, mais do que tudo, minha cabeça cansa. cabeça cansada, mente opaca. chegará um ponto em que não mais consigo pensar. mas não importa, porque o que preciso fazer é resolver mais uma variação daquela mesma questão de física daquele assunto mais básico e mais repetitivo sobre o lançamento de um projétil. qual a altura? fórmula = resposta. qual a velocidade? fórmula = resposta. e a aceleração? resposta = fórmula. errado. fórmula ≠ pensar, resolver, responder. a resposta não existe, a resposta não é exata. a resposta está cansada, o corpo, alma, cansaço consumindo vidas. preciso me deitar, mas quem se importa? a minha resposta deve ser o treino, treino, esforço, efeito, dor e resposta. e glória. e luz e presunto. esse serei eu depois dos exercícios.

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eu volto ao canto escuro do que me criou. puxo uma cadeira, sento e cruzo as pernas. nenhuma luz acesa, mas eu não preciso de luz para enxergar o nada. do tempo das minhas lágrimas, aprendi a enxergar silenciosamente constante. no brilho fosco do vagalume que rodeia a maçaneta, enxergo a lua que, de uma vez por todas, insiste em entrar triunfante com seus cavalos alados nas memórias da minha cabeça. o meu passado me pertence, penso em dizer à lua. mas ela não me ouve, mas eu não me ouço. abro a boca, mas nem sequer abro a boca para produzir som. sinto, mas não faço. faço, mas não faço. como posso controlar o compasso das minhas pernas se já nem sei se posso fazê-lo? é uma noite escura e um ponto brilhando no céu. não, não é lá longe. é perto, mas a porta. a porta bloqueia minha visão. tapa tudo. tudo dói. e eu não sinto nada. porque não vejo. porque não faço. porque não sinto. estou aqui?


você está aí? me pergunto se existe alguém do outro lado da porta. queria saber, quero novos rostos, querem brilhar não só pra mim. quero romper o espaço, viajar mais do que anos-luz e despedir-me do sol. sim, sou capaz. sei que sou. o sol me abastece, não nego, mas sou capaz de brilhar por mim mesmo. do que adianta meu nome, então, sereno? sou luna, de luz própria, que refesteja as próprias crateras como marcas de um passado colisivo. se eu sumo pela manhã, é porque é meu tempo de dormir. recarregue suas energias, disse alguém antes de eu nascer. quando eu nasci, enfim, pensei que estivesse lá desde o começo. desde antes da palavra ser criada. desde antes de existir uma porta fechada. tem alguém do outro lado?