terça-feira, 28 de novembro de 2006

Desfeito em luz.

Faltaram cores. Algumas dúzias delas. Talvez o cinza da minha tristeza e o negro que me entope as veias. Pintei essas aquarelas, com traços torpes e embriagados, porque não saberia fazer de outra forma e porque você assim me pediu. Algumas são imagens descritas por você. Outras, por uma voz que vive dentro de mim e que nesse momento grita desesperada: “Salva-te enquanto estás lúcido!”. Nosso acordo não está assinado. Não tem validade jurídica. Mas algo me prende a ele... Uma curiosidade, um desejo ou uma ameaça?
Fui nos correios hoje de manhã disposto a me ver livre desses desenhos. Espero que eles sejam felizes em outro lugar, nas paredes brancas de uma casa distante. Quando receber essas aquarelas, pinte as respostas em três dias. Quero cores em tons pastéis e contornos em violeta. Ok? Obrigado.

Luisa mandou um beijo.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Segunda, terça e sexta.

Sexta-feira Dollaway

A Sra. Dollaway estava cansada de tudo aquilo. Aquela rotina enjoava-a: levantar, escovar os dentes e cabelos, tomar um banho, vestir-se, fazer o café, tomá-lo, ir na casa do Joseph, tentar alegrá-lo e tudo mais. Todo santo dia ela fazia tudo isso. Mas nessa segunda ela não agüentava mais!
A Sra. Dollaway comprou flores, voltou para casa, tomou o café. Depois foi para a casa do Joseph, fez o café dele e abriu as cortinas. Joseph percebeu a sua trsiteza e percebeu que era por sua causa. Então ele tomou o seu café, deu um beijo na Sra. Dollaway e disse-lhe adeus.
Jogou-se da janela segurando as flores de Dollaway.

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Terça-feira Fancy

A Anna Fancy adorava ler. Naquela terça foi na biblioteca da cidade e escolheu um dos livros que a Sra. Dollaway escreveu. Seu nome era "A Triste História de Anne" e na sua capa havia a foto de uma garota com uma feição doce. Olhos cor-de-madeira, lábios finos e ressecados. Nariz pequeno e bochechas também. Parecia triste. Tinha olheiras, talvez drogava-se. Anna levou-o para casa. Ficou de ler até sexta-feira.

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Sexta-feira Simpson

A Marie, bibliotecária, recebeu de Anna o livro. Naquele dia estava triste. Acabara de terminar o namoro de dois anos com Roberth.

domingo, 19 de novembro de 2006

Bilhete de um pássaro.

Estava sentado na janela do meu quarto. Passou um passarinho. Coloquei a mão para ele pousar. Pousou. Sorri. Ele piou. Coloquei-o sobre a janela, busquei alpiste. Dei o alpiste. Ele comeu e foi-se embora. Depois trouxe um buquê de flores pequeno com um recado que dizia o seguinte:


the strokes - this life

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Terra, lama e sabão.

Vamos nos sujar como as crianças da propaganda de sabão em pó que depois a felicidade se encarrega de esconder a sujeira.




polichinelo - manual de instrução para uma vida doce

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Vila Mariana.

Estava ela a vagar pela rua. Tinha rugas, cabelos brancos e poderia parecer sedentária, mas não era. Todas as noites ela dava umas corridinhas no quarteirão. Morava na casa de cor salmão que eu tanto gostava. Tinha uma rede na varanda onde todas as tardes se deitava. Seu nome eu não sei. E nem pretendo saber. Fica mais misterioso, sabe? Mas sei que um garoto do meu colégio, da minha sala, que senta na minha frente, vai todos os finais de semana para lá.
Todos os finais de semana eu observo-o, com sua roupa antiga, seu tênis branco, seu cabelo curto, seus olhos pequenos. Sempre carrega uma rosa branca na ida e um girassol bem amarelo na volta.
Um dia que ele estava lá, eu decidira tocar a campainha. Nem precisei tocar, ele apareceu. Deu-me um olá alegre e perguntou se eu estava a procura de sua avó. Disse-lhe que não, que havia me enganado, que aquela não era a casa que eu procurava.
Já ia indo embora quando ele me chamou: “Felipe... Cuidado!”. Depois disso fui atingido por um carro onde um cara bêbado estava dirigindo. Na hora eu pensei nas possibilidades do meu futuro: ficar paraplégico, morrer... Pensei.

yeah yeah yeahs - hyperballad (björk cover)

cigarro causa impotência sexual.

Faria se ela não tivesse aparecido. Sabe como é; diretoras expulsam quem faz isso aqui no colégio. Umas sete pessoas já foram. Todos meus amigos fazem isso, mas fora do colégio.
Na verdade eu fui fazer porque o pessoal ficou em cima de mim dizendo que eu era o único diferentezinho, que eu teria que fazer também. Mas eu acho isso errado. Por sorte a diretora apareceu e não deu pra eu fazer isso. Mas o Jhonas disse que eu teria que fumar na sexta-feira, depois da prova final de matemática.
(Mas quem disse que eu vou fazer isso?)